terça-feira, 20 de outubro de 2009

it could be a great suicide letter

Ontem eu fui à escola. Não assisti nenhuma das aulas.
Hoje, nem mesmo ir à escola consegui. Não quero passar pelo dia de hoje, nem pelo amanhã. Nem pelo que vem depois.

Não consigo olhar na cara das pessoas. Parece sempre que estão me julgando o tempo todo. Falando de mim. Sou um fracasso, uma decepção. A louca. Aquela que faz tudo errado. Isso me irrita.
Pelo menos me irrita agora, que estou nessa 'agorafobia'. Trancada dentro de casa, sem estar mesmo dentro de casa. Só escutando minha mãe dizer: 'os seus concorrentes estão na sala de aula'; 'depois fica dizendo que sua irmã não vai passar no vestibular'. Não estou ligando pra isso no momento. Talvez daqui a uma hora ou duas já esteja. Sei lá.
Estou dizendo isso porque às vezes o que me irrita é a invisibilidade do meu ser. Essa coisa de não ser ninguém, de parecer não ser importante na vida dos outros. Simplesmente: ser! Simplesmente existir como mais um no meio de tantas outras pessoas, dizendo 'bom dia', 'boa tarde' e 'boa noite'. 'Vivendo' como uma 'pessoa normal'. Penso que essa pode ser uma das razões das minhas bebedeiras, cortes, NFs, gastos exagerados e besteiras - traduzindo: maneiras muito idiotas de se chamar atenção (chamar atenção para o que, exatamente? Por quê?): preocupar as pessoas.
Sei que muitas vezes confio demais em todo o mundo; em quem devo e em quem não devo. Também sei que muitas vezes desconfio de todo o mundo, aí que está o maior problema. Começo a achar que meus pais e minha irmã conspiram contra mim. Que todos os meus amigos, sem nenhuma exceção, me odeiam, são falsos comigo, fingem se preocupar por mera educação. Porém, lá no fundo, bem lá no fundo, uma vez ou outra, eu consigo perceber que há pessoas que se preocupam mesmo comigo e que me amam. Aí eu me sinto mal.
Olha que bosta eu sou? Fazendo pessoas boas sofrerem por minha culpa? Sim, a culpa é só minha. Afinal, depende só de mim a recuperação. Basta eu querer e lutar. Lutar é difícil. Querer, acreditem, também é.
Toda essa minha flutuação de humor marca muito isso. Por exemplo, quando decidimos que minha mãe ficaria por conta dos meus remédios, achei ótimo, maravilhoso: assim, não haveria o risco de eu tomar vários comprimidos de uma vez só, como fizera antes. Hoje, já estou achando que essa foi a pior idéia possível. Quero muito me entupir de remédio.

De verdade, acho que a depressão é a pior parte das flutuações. Ridiculamente falando, é como se um dementador te atacasse. Não é que você fica 'triste'. Literalmente, não há sentimento. Fica tudo vazio. Não há vontade de viver, nem de morrer. Nem de falar, tomar banho, sair... A resposta para qualquer pergunta é 'Tanto faz.' Não importa se você está magro. Não importa se você está gordo. Não importa. E, sério, não sei se vou estar com a mesma opinião daqui a uma hora ou duas. Nem sei se vou estar viva. Acho que sim, nunca sigo meus planos. Não tenho coragem de me jogar e tomar os remédios possíveis junto de todo o álcool possível não dá, já que o armário em que estão fica trancado. A chave fica com a minha mãe. Whatever.

Mas que é uma merda, é. Em uma semana estou cheia de planos, estudando para que tudo dê certo: vou estudar muito, passar na UFMG, me mudar para BH, ter um apartamento só meu, meu guarda-roupa, minhas roupas, meus cd's, meus dvd's, meu computador, meu quarto, minha independência. Em outra, eu fico em casa, sem querer saber de nada. -Mas você tem que estudar! Você não quer ir pra BH? 'É. Sei lá.'
E na outra semana, já quero ir pra todos os rocks, beijar quem for, vestir-me bem, sentir-me bonita.

Queria mesmo é ser uma dessas meninas loiras, falsas ou não, do cabelo comprido, corpo bonito e saudável. Burras, que só pensam em academia, unha, micareta e boate de playboy. Pois é. Não sou assim.
Todas elas são normais. Não ficam passando por essas coisas. O maior problema delas é o rímel que acabou ou... nem consigo pensar em outro problema.

De qualquer forma, talvez acabe por aqui. Não vejo motivos para continuar. Só atrapalho a vida de todo mundo. Faço meus pais gastarem dinheiro comigo, faço eles (e muitas outras pessoas, diga-se de passagem) sofrerem por minha causa, fico causando problema atrás de problema e às vezes quero melhorar e às vezes, não. Simplesmente, não consigo querer. Controlar a sua mente não é tão fácil quanto parece.
No primeiro dia podem achar que fiz besteira. Mas depois acho que todo mundo vai perceber que o que fiz foi pra ajudar. Anyway, todo mundo vai chorar por um dia ou dois - bem menos do que eu os faria sofrer se continuasse viva, e ainda teria que assistir, sabendo: a culpa é toda sua.
Mas vocês me conhecem, sabem que não vou fazer nada. É só mais uma das minhas vontades que vai passar, assim como todas as outras -ou não. Amanhã, se eu estiver aqui ainda, vou estar estudando cheia de planos, falando de moda e engenharia de produção, da minha vida em BH, ou então falando da festa que vai ter dia 31.

Nem sei por que to escrevendo isso aqui. Talvez seja só pra preocupar mais pessoas que nem tem nada a ver com isso. Talvez alguém se identifique. Talvez eu só me sinta mais a vontade pra escrever aqui. Sei lá. love you all, don't worry ♥

you can't, but you should. do it. do it. do it.

Um comentário:

Anônimo disse...

"Queria mesmo é ser uma dessas meninas loiras, falsas ou não, do cabelo comprido, corpo bonito e saudável. Burras, que só pensam em academia, unha, micareta e boate de playboy. Pois é. Não sou assim.
Todas elas são normais. Não ficam passando por essas coisas. O maior problema delas é o rímel que acabou ou... nem consigo pensar em outro problema."

Sabe de uma coisa? eu tbm. Isso tudo cansa, cansa demais, e a gente não ve uma luz, não ve um fim, não ve um happy end..

Força amiga!